I Ser-se feliz é de certeza o maior desafio que qualquer pessoa enfrenta na sua vida. Mesmo sem dar conta disso.
Quando me apercebi desse desafio pela primeira vez na vida, acho que tinha dez anos. Tinha entrado numa morada nova. Nesse dia tive uma amostra do que queria. O meu desejo para o futuro passou a ser isso mesmo, voltar a sentir-me como naquele momento. Voltar a sentir aquela felicidade e nunca mais deixar de o sentir.
II É verdade que tenho uma ambição maior que eu. É essa a minha natureza, não a melhor forma de ser feliz. Isso ainda estou para descobrir como se faz. E consigo garantir que procurar essa resposta só me afasta dela.
Na realidade, é como o vento. Podemos correr atrás dele, tentar abraça-lo, senti-lo, sorrir-lhe ou até chorar com ele, mas nunca o alcançaremos. E sem darmos por isso bate à porta e entra.
III No presente, à pergunta sobre o que me fará feliz, a primeira reacção é debitar uma lista sem fim. Na maioria, tudo materialismos à excepção de uma ou duas coisas. E resumindo essa lista a tão poucas coisas é normal que se pergunte o porque de tanto querer. Parece-me que se deve a essas coisas amenizarem a falta das outras, muito poucas, que trazem a felicidade sem fim. Sim, é mesmo isso. Essas também nos fazem felizes, mas não dura!
IV Se olharmos para a felicidade como um objecto, deixa de ser o que queremos quando o conseguirmos dada a natureza humana de querer o objecto que ainda não tem. Se pensarmos na felicidade como um sítio, estamos a limitar algo que queremos não ter limite, não ter fim. Se acharmos que a felicidade é um sabor ou uma melodia será demasiado monótono para ser felicidade.
A felicidade é um sentimento. E como tal pode evoluir, mudar e voltar a ser algo novo vezes sem conta. Ora mais intenso, ora mais quente, ora mais doce. É por isso que pode ser-se feliz para sempre.
V É a ser eu mesmo, a partilhar conhecimento e as minhas vivencias com quem me rodeia fazendo também do mundo que me rodeia um sítio melhor que me sinto humano. E sem isso não sou feliz. Não espero ser feliz amanha. Mas espero não deixar de, um dia e para sempre, o ser. Sozinho também não sou feliz, pois nada partilho.
Só podemos conhecer-nos no eco que o mundo faz da nossa existência e de quem somos. É por isso que a família, os amigos, uma namorada ou um animal de estimação me conseguem fazer feliz. Digo ‘conseguem’ em vez de ‘fazem’ porque só acontece se esse eco for positivo. Quererá dizer que estou no caminho certo.
VI Ser feliz não é um objectivo nem um destino, é uma viagem sem rumo e sem fim.
sábado, 3 de abril de 2010
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